Se eu fosse José Serra, contaria que a crise de 2008 começou com a quebradeira de bancos americanos.
O discurso de Michael Douglas no filme Wall Street, o Dinheiro Nunca Dorme mostra com clareza a loucura do mercado financeiro nos Estados Unidos. Os bancos emprestavam sem critério, os americanos compravam sem limites e o governo Bush gastava sem compromissos com o que arrecadava. Vendo o filme, qualquer brasileiro minimamente informado pensa: bendito Plano Real, bend ita Lei de Responsabilidade Fiscal e bendito Proer que permitiu um severo controle dos bancos brasileiros.
Na Europa, os ajustes para enfrentar as mudanças na conjuntura internacional também não foram feitos. Resultado: crise.
No Brasil, um governo populista colocou na conta do presidente a boa fase do país. A bonança mundial era Lula. Bastou um ano de governo para transformar em bendição o sofrimento do povo brasileiro.
Aqui, não se conecta a boa fase ao crescimento dos países asiáticos e sua demanda, à valorização das commodities e, principalmente, aos ajustes que foram feitos na década de 1990.
Nem se diz que os PIBs e as taxas de emprego da África e da América Latina, em países que exportam commoditties, também estão crescendo.
Aqui, não se fala da pujança da Ásia e das transformações na economia mundial. Aqui, somos autistas
· Se eu fosse Serra, eu mostraria a verdadeira herança maldita e as turbulências da década de 1990.
A queda do Muro de Berlim, em 1989, expôs a falência dos países comunistas do leste europeu e da Ásia. Abertas as economias fechadas, o mundo ficou mais pobre.
A Década Perdida, anos 80, da América Latina foi gerada por governos que, sem visão macroeconômica e sem mecanismos eficazes de controle financeiro, levaram seus países à bancarrota e à hiperinflação.
Assim, após mais três planos econômicos de contenção, a década de 1980 encerrou-se com
o Brasil às portas da hiperinflação, com a marca de 1764% ao ano em 1989, chegando ao máximo de
6584% par a o período dos últimos 12 meses, em abril de 1990.
Para evitar uma crise mundial de gigantescas proporções, não havia espaço para populismos baratos e o remédio era amargo.
A receita era austeridade e reformas, medidas que não deram votos, mas garantiram estabilidade para o país.
A receita era austeridade e reformas, medidas que não deram votos, mas garantiram estabilidade para o país.